Sonda pode ter encontrado água em lua de Saturno

Sonda pode ter encontrado água em lua de Saturno
Por Luis Aparicio

Sonda da Nasa pode ter encontrado água em lua de Saturno. A sonda Cassini, da Nasa (agência espacial americana), pode ter encontrado vestígios da existência de reservatórios de água, na forma líquida, em Enceladus, uma das 35 luas de Saturno. A rara ocorrência de água próxima da superfície levanta várias questões acerca do misterioso corpo celeste e abre caminho para especulações sobre a possibilidade de existênca de vida extraterrestre. A informação, antecipada no blog do jornalista americano Matt Drugde nesta quinta-feira, será publicada na edição desta sexta-feira da revista ''Science'.

Percebemos que esta é uma conclusão radical, a de que podemos ter prova de água em estado líquido dentro de um corpo celeste muito pequeno e muito frio - disse no site da Nasa Carolyn Porco, chefe da equipe de imagens da Cassini no Instituto de Ciência Espacial, em Boulder, Colorado. - Entretanto, se estivermos certos, teremos ampliado a diversidade de ambientes do sistema solar onde possivelmente haverá condições adequadas para a ocorrência de organismos vivos - acrescentou.

Imagens em alta resolução da Cassini mostram jatos e vapores gelados sendo ejetados, em grande quantidade de partículas, a alta velocidade. Cientistas examinaram vários modelos para explicar o processo. Eles descartaram a idéia de que as partículas sejam produzidas ou expelidas da superfície da lua por vapor que poderia se orginar quando a água gelada aquecida se transforma em gás.

Em vez disso, os cientistas descobriram prova de uma possibilidade muito mais instigante: os jatos podem sair de bolsões de água líquida de uma região próxima à superfície lunar a uma temperatura abaixo de zero graus Celsius, como um versão gelada do gêiser Old Faithful, no parque de Yellowstone.

- Até agora, sabíamos que o vulcanismo ativo existia em três lugares: na lua Io, de Júpiter, na Terra e, possivelmente, na lua Tritão, de Netuno. Mas a Cassini mudou tudo isso, tornando Enceladus o mais novo membro desse exclusivo time e um dos mais excitantes lugares do Sistema Solar - afirmou o cientista John Spencer, da missão Cassini, entusiasmado com a descoberta.

Os cientistas imaginam que outras luas do Sistema Solar teriam grandes oceanos de água em estado líquido em sua superfície, mas cobertos por uma crosta de gelo de quilômetros de espessura.

- A diferença aqui é que os bolsões de água em estado líquido podem estar a não mais de dez metros da superfície - afirmou Andrew Ingersoll, outro cientista da missão. - Agora sabemos que Enceladus está expelindo moléculas de água, que se quebram em oxigênio e hidrogênio.

Mas muitas questões permanecem: Por que Enceladus seria tão ativa? Outras regiões do satélite seriam tão ativas? Essa atividade existiria por tempo suficiente, ao longo da história da lua, para que a vida tenha surgido?

Em 2008, os cientistas terão uma outra chance de olhar Enceladus, quando a Cassini chegar a aproximadamente 350 quilômetros de distância de sua superfície.

- Não há dúvida de que, ao lado de Titã (outra lua de Saturno), Enceladus deve ser uma prioridade para nós. Saturno está nos dando dois excitantes mundos para explorar - sustentou Jonathan Lunini, que também acompanha a missão.

Objetivo da missão é estudar Saturno e suas luas

As descobertas sobre Enceladus estão publicadas na edição desta semana da “Science”, em estudo assinado por cientistas da Cassini-Huygens — missão conjunta de quatro anos de duração da Nasa, da Agência Espacial Européia e da Agência Espacial Italiana para estudar Saturno.

Fonte: http://www.apovni.org/modules.php?name=News&file=article&sid=456&mode=thread&order=0&thold=0