Animais

A triste história de Kshamenk: esquecida orca criada em cativeiro sul-americano

Em 2014, o mundo dos parques aquáticos foi abalado pelo lançamento do documentário “Blackfish”. O filme é um longo documentário que explicava porque o parque Seaworld, o maior do mundo no segmento, era um exemplo de maus-tratos animais. Mas para entender a história toda, vamos por partes; começando pelo próprio parque.

O Seaworld é um parque aquático criado ainda na década de 60. Com o passar dos anos, passou a inserir animais em seu “catálogo” de atrações. Os animais eram variados, como golfinhos e leões marinhos, até que finalmente o parque adquiriu sua galinha dos ovos de ouro: orcas assassinas. Em 85, o Seaworld adquiriu Kalina, a primeira de uma série de Orcas que passaria a vida em cativeiro, rendendo milhões de dólares ao parque anualmente.

Depois do documentário, o parque mergulhou em uma crise profunda, enfrentando processos na Justiça e passando por uma larga onda de reprovação pública. O que o documentário fez, foi iluminar os problemas estruturais presentes na ideia de criar um animal que pode chegar a 8 metros de comprimento, e 4 toneladas, em tanques de cimento. Depois do documentário, o sofrimento ao qual os animais eram expostos se tornou claro e inegável, levando aos EUA tomar a decisão de barrar que novos animais fossem adquiridos pelo parque.

O choque do país com o Seaworld não foi limitado a uma questão nacional, afinal de contas, países como Canadá e Espanha, também tinham suas próprias versões de “Seaworld”. Na América do Sul, em algum grau, o documentário também causou repulsa. Mas nem todo mundo sabe que na Argentina, na cidade de San Clemente del Tuyu, existe uma orca sendo criada nas mesmas (ou talvez ainda mais cruéis) condições que todas as outras. Kshamenk enfrenta seu cativeiro em silêncio, sem que os olhares da opinião pública se voltem para ela.

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Kshamenk teria sido capturada com aproximadamente 5 anos, junto com outras 3 orcas. Segundo reportagens locais, o Mundo Marino, que detém o animal, alega ter salvado a orca de um encalhamento. No entanto, fontes afirmam que, na verdade, o parque forçou o encalhe dos animais. Neste processo, um dos animais foi solto porque era pesado demais, um morreu enquanto era transportado, e um cometeu suicídio, se debatendo ao ser capturado. Kshamenk foi o único a ser capturado com vida.

Levado ao parque, ele foi colocado em um tanque com outra Orca, chamada Belén, a quem engravidou anos mais tarde. O filhote nasceu morto e Belén morreu, vítima de uma infecção. Kshamenk vive sozinho desde 2000, quando sua parceira morreu. Atualmente, a orca vive deprimida e errática, não aceita comandos e se comporta “mal” com seus treinadores.

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Uma orca chega a nadar 400 quilômetros por dia em alto mar; no lugar disso, Kshamenk se vê obrigado a dar centenas de voltas em um tanque minúsculo, que fontes denunciam ser mal higienizado. Câmeras de drones flagraram o que parece ser um comportamento deprimido da baleia; Kshamenk passa horas do dia apenas flutuando de barriga para cima, como se estivesse morto.

Apesar das pressões internacionais pela liberação do animal, o Mundo Marino alega que seria impossível porque Kshamenk não detém habilidades para sobreviver em liberdade. No entanto, especialistas discordam. Kshamenk foi capturado com cerca de 5 anos, período este em que aprendeu a caçar e também aprendeu a ser livre. Não à toa, em cativeiro, se comporta “mau”, porque entende que esta preso.

Atualmente, Kshamenk já tem mais de 30 anos e, vivendo em cativeiro, sua expectativa de vida não é muito maior do que isso. Na Argentina, diversos protestos são organizados frequentemente para que Kshamenk seja libertado e possa viver seus últimos meses, ou anos, em liberdade.

Sobre o Autor

Roberta M.

Gosto de escrever sobre diversos assuntos, principalmente curiosidades e tecnologia. Contato: [email protected]