Ciências

Ciência aponta que trauma pode ser passado à frente por DNA

Quando se pensa no que é necessário para que um bebê seja formado, são muitos os assuntos potencialmente abordados. Esse é um tema amplo e que gera muito a sensibilidade das pessoas. No entanto, é seguro dizer que a maioria das pessoas imagina terem herdado algo de seus pais: a cor da pele ou do cabelo, manchas, pintas, formato do rosto ou das mãos… São inúmeras as coisas nas quais podemos pensar.

Nós somos capazes de herdar muitas coisas através do DNA, mas isso é apenas uma das muitas coisas que acabam sendo levadas em consideração. Quando o assunto é saúde mental, ainda estamos diante de um verdadeiro abismo. No entanto, muitas coisas podem acontecer daqui ara frente. Um grupo de pesquisadores, por exemplo, parece ter descoberto que traumas podem ser passados para frente.

Um estudo totalmente inédito, realizado em conjunto por pesquisadores da Universidade do Sul da Flórida e Universidade de Ruanda, mostra que somos capazes de transmitir traumas de geração em geração. A descoberta foi feita após análise de dados encontradas entre populações do país de Ruanda. Para chegar a este resultado, foram analisados dois grupos de mulheres tutsi: aquelas que estavam grávidas vivendo em Ruanda no período do genocídio, e aquelas que estavam grávidas mas viviam longe da área de conflito.

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Os pesquisadores então compararam os dados com os resultados obtidos com a análise de genoma dos descendentes dessas mulheres. O que o resultado mostrou foi que os filhos daquelas que viviam em Ruanda, durante o período traumático, apresentavam rastros do trauma em seu próprio DNA.

O DNA às vezes é visto como um código programado, mas a expressão de certos genes pode ser alterada por meio de mudanças epigenéticas, que são influenciadas pelo estilo de vida, experiências e nosso ambiente. Nas mulheres grávidas que experimentaram o terror do genocídio, os pesquisadores encontraram modificações químicas no DNA que anteriormente foram associadas a um risco para condições de saúde mental, como TEPT e depressão. Essas mesmas assinaturas também foram encontradas na prole que era um feto na época, indicando que as mudanças epigenéticas foram transmitidas.

Para entender a dimensão desse estudo, é importante ter noção do que foi o genocídio de Ruanda. Entre os meses de abril e julho, de 1994, aproximadamente 100 dias, estima-se que 1 milhão de pessoas perderam suas vidas. Todas foram executadas. Mulheres também sofriam uma violência a mais, já que eram frequentemente vítimas de estupro. Estima-se, atualmente, que entre 150 à 250 mil mulheres foram abusadas sexualmente neste mesmo curto espaço de tempo. De forma muito resumida e grosseira: o massacre foi promovido pelo grupo étnico Hutus, quando um grupo rebelde Tutsi tentou retomar o poder, que havia sido tomado pelo grupo rival.

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O coordenador do estudo destaca que pesquisas nesse sentido devem ser mais apreciadas no país. Isto porque existe um grande número de pessoas sofrendo com doenças mentais, como PTSD e depressão, mas que não entendem o porquê. O país pode se beneficiar muito com a compreensão ampla das consequências que o genocídio pode ter tido.

Sobre o Autor

Roberta M.

Gosto de escrever sobre diversos assuntos, principalmente curiosidades e tecnologia. Contato: [email protected]