Por que pessoas boas seguem as ordens do mal?

Por que pessoas boas seguem as ordens do mal?
Por Juliana Miranda

Algumas pessoas passam por momentos na vida nos quais são capazes de ligar a chave do cérebro para o mal. Em muitos casos, são pessoas consideradas boas, mas que apresentam uma tendência a seguirem ordens que estimulam comportamentos ruins.

Estudos psicológicos tentam entender por que isso acontece, ou seja, tentam explicar as razões que levam pessoas boas a assumirem comportamentos horríveis. Um novo estudo apresentou uma forma de responder à seguinte pergunta: por que pessoas que são normalmente decentes podem provocar violências terríveis sob ordens?

Na década de 1960, o psicólogo Stanley Milgram horrorizou o mundo, instruindo voluntários a usarem poderosos choques elétricos em cidadãos que tinham falhado em testes de memória. O experimento foi, na verdade, uma ilusão, os choques não eram reais e as "vítimas" eram atores. No entanto, a maioria dos participantes do estudo não parece ter suspeitado disso. Eles realmente pensaram que estavam administrando choques elétricos nas vítimas. Apenas um terço dos participantes se recusou a seguir as ordens.

Cinco décadas depois, o professor Patrick Haggard, da University College London, usou uma nova tecnologia para fornecer uma visão sobre por que as pessoas fariam isso. De acordo com a pesquisa, as pessoas apenas obedecem ordens, sem o senso de realidade entre a ação e o resultado.

Em um estudo anterior, Haggard fez a observação de que muitas pessoas são mais propensas a pensar que elas foram responsáveis ​​por sucessos do que fracassos. Segundo a revista Current Biology, as pessoas também são estimuladas a agirem por ganância ou sadismo.

"As pessoas que obedecem ordens podem experimentar suas ações como movimentos passivos e não como ações totalmente voluntárias", afirmou o periódico.

Nos últimos anos, o debate foi reavivado por diversas descobertas da psicologia. O objetivo agora é explicar por que algumas pessoas resistem a ordens antiéticas e outras não.