Orangotangos que vivem em cativeiro são mais curiosos

Um estudo demonstrou que a vida e a convivência de orangotangos com os seres humanos transformam os animais. Os macacos que são resgatados ou criados em cativeiro se tornam muito mais curiosos do que os animais selvagens que vivem em florestas.

Prova disso é que uma pesquisa conduzida na floresta tropical de Sumatra, usando sensores extremamente delicados e instalados nas copas das árvores, simplesmente não chamou a atenção dos macacos. Os orangotangos da região conviveram com os dispositivos durante uma semana e os animais não se interessaram pelos equipamentos.

O pesquisador Van Schaik ficou surpreso com essa situação. Para ele, esse comportamento não combinava com aquele que ele havia visto em centros de reabilitação, para onde os orangotangos resgatados são levados e tratados. Lá, os macacos eram muito mais curiosos, mexiam nas latas de lixo, invadiam armazéns e até roubavam roupas.

A equipe de estudiosos da Universidade de Zurique passou vários anos confirmando essa observação, avaliando dezenas de macacos. Os pesquisadores mostraram que os orangotangos selvagens são muito mais precavidos, eles evitam o novo e o desconhecido. Já os orangotangos em cativeiro gostam de explorar os ambientes.

Os pesquisadores acreditam que o contato próximo com humanos e a ausência de predadores liberem uma capacidade latente de curiosidade nos animais, além de aumentar as habilidades de resolução de problemas nos macacos adultos.

Para testar os orangotangos, Sofia Forss, uma das integrantes da equipe de Van Schaik, construiu ninhos falsos de orangotangos em Sumatra. Ela então os encheu de itens que os macacos nunca tinham visto antes, como uma bandeira suíça, frutas de plástico e até uma boneca de orangotango.

Imagens de câmeras sensíveis ao movimento revelaram que os orangotangos selvagens andaram pelos itens por meses. Apenas dois adolescentes tocaram nos objetos desconhecidos. Já quando outra integrante da equipe, Caroline Schuppli, repetiu o mesmo experimento em vários zoológicos, ela obteve resultados completamente diferentes. Em questão de minutos, os orangotangos haviam destruído os ninhos e revirado os objetos.

A pesquisadora Laura Damerius fez um experimento semelhante com 61 orangotangos que viviam em estações de reabilitação na Indonésia, avaliando suas respostas a objetos desconhecidos. Ela descobriu que os macacos que passaram mais tempo com os seres humanos antes de chegar às estações se comportavam com mais curiosidade, ou seja, eles procuravam ativamente coisas novas.

Os estudiosos acreditam que esse tipo de experimento tenha implicações muito importantes para entender a evolução humana. Segundo os pesquisadores, algo aconteceu em determinado momento da evolução que despertou a curiosidade latente dos antigos humanos, transformando-os em exploradores e inovadores. Isso fez com que o homem se tornasse o que é hoje.

Orangotangos

Mantendo a rotina



O estudo mostrou que os orangotangos selvagens são animais conservadores. Eles tentam manter a rotina para evitar consequências inesperadas. Um macaco copia o comportamento do outro e, assim, seguem a vida.

Já os orangotangos em cativeiro são inovadores. Um grupo, que estava alojado em uma ilha no meio de um rio, por exemplo, conseguiu inventar 18 novas maneiras de obter água ou extrair itens dela. A maioria dos comportamentos nunca havia sido vista na natureza.

Fonte: The Atlantic


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