Unicórnio

Geralmente descrito como um ser parecido com o cavalo, com uma barba de cabra, uma cor branca imaculada e um chifre surgindo no meio da testa, é difícil definir as origens do unicórnio, mas sabemos que essa criatura mística permeia o imaginário popular há muitos séculos.

Suas características sofrem pequenas alterações dependendo da cultura em que está inserido, porém o chifre protuberante é o seu atributo mais marcante, assim como sua reconhecida pureza e inocência. Muitos acreditavam que o pelo e o sangue dos unicórnios tinham propriedades curativas. Por isso o animal era frequentemente caçado nas lendas, mas por ser muito veloz era quase impossível de ser capturado, a não ser que ele fosse atraído por uma mulher virgem; o animal reconheceria sua pureza e se aproximaria. Assim, na idade média o unicórnio transformou-se em um símbolo de castidade.

No século 12 um objeto alimentou o imaginário popular e fez com que muitas pessoas acreditassem que os unicórnios eram reais; tratava-se de um chifre espiralado encontrado ocasionalmente nas praias da Groelândia e que depois começou a ser exportado para a Europa. Estes chifres tinham grande valor comercial já que se acreditava que tinham poderes mágicos, podendo desintoxicar alimentos envenenados e purificar a água.

O “chifre” na verdade era uma presa de Narval, um animal da família da Beluga e que tem seu habitat nos arredores do ártico. São animais gigantescos, sem as belas características dos unicórnios e pouco dóceis, mas ainda assim misteriosos. Até hoje cientistas tentam entender como os Narvais sobreviveram a mais de 1 milhão de anos sendo uma espécie com pouca variação genética.

Baleia Narval
Crédito da imagem: Wikimedia

Mas como os europeus não tinham como saber que aquele misterioso objeto era apenas uma presa, os chifres de unicórnios tornaram-se muito cobiçados, verdadeiros tesouros, maravilhas naturais que despertavam o interesse da igreja e de príncipes.

Um exemplar destas presas com mais de 1,8 metros de comprimento foi exposto pelo Museu de Cluny atraindo a curiosidade de visitantes do mundo inteiro. Mas foi no fim da idade média que surgiram as maiores representações artísticas do unicórnio. Trata-se de uma série de tapeçarias conhecidas como “A dama e o unicórnio.”

A dama e o unicornio
Crédito da imagem: Wikimedia

O conjunto é formado por seis peças que apresentam um belo unicórnio ao lado de uma mulher, uma dama de companhia e um leão. Há um fundo vermelho com flores e outros animais.

Mas com o fim da idade média a crença nas propriedades mágicas e curativas deste animal diminuiu. Médicos se posicionaram contra o poder medicinal do chifre da criatura. Assim a popularidade do unicórnio ficou abalada e suas aparições em obras de arte tornaram-se mais raras.

E foi no século 19 que o interesse pela criatura ressurgiu devido à descoberta das tapeçarias “A dama e o unicórnio”. Desde então muitos artistas voltaram a representar o ser místico em suas obras.

Mas se ao longo da história o interesse por essas criaturas teve altos e baixos, hoje vivemos uma época de popularidade inquestionável dos unicórnios. Eles estão inseridos em nossa cultura popular. Como um animal dócil, amigável e colorido ele permeia o imaginário das crianças e surge em cadernos, garrafas e enfeites para festas de aniversário. Também está presente no cinema e na literatura sendo representando em grandes obras de fantasia como, por exemplo, Harry Potter e a Pedra Filosofal da britânica J.K. Rowling.

A palavra unicórnio também virou sinônimo de raridade; um bom vinho, de uma safra de rara qualidade pode ser chamado de vinho unicórnio.

Ao que parece essas antigas criaturas passaram por um processo de evolução e sobreviveram ao tempo e a todas as mudanças para poderem fazer parte de nossa cultura até hoje e, provavelmente, ainda iremos falar sobre unicórnios por muito tempo.


REFERÊNCIAS
SOOKE, Alastair. A fabulosa origem do mito do unicórnio (e por que ele ainda causa fascínio). BBC News Brasil, 2019. Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/vert-cul-50861657. Acesso em: 13 nov. 2020

MONTEIRO, Luiza. Para a ciência é um mistério que narval sobreviva há 1 milhão de anos. Super Interessante, 2019. Disponível em: https://super.abril.com.br/ciencia/para-a-ciencia-e-um-misterio-que-narval-sobreviva-ha-1-milhao-de-anos/. Acesso em: 13 nov. 2020.

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