Por que os médicos são tão frios?

Por que os médicos são tão frios?
Por Juliana Miranda

Você, em algum momento da vida, já deve ter passado em consulta com um médico frio e sem reação. Essas são características de muitos profissionais da saúde.

Para entender esse comportamento dos médicos é necessário conhecer um pouco sobre o caminho de formação do profissional. Os médicos brasileiros têm uma jornada difícil rumo ao tão sonhado diploma. Eles passam anos estudando e, depois, fazendo a residência médica. Nesse processo, pouco se fala sobre a humanização da saúde, ou seja, o curso de medicina não ensina o médico a ser humano, sensível à dor alheia e simpático.

Durante a própria formação acadêmica, os médicos são praticamente incentivados a não demonstrarem sentimentos. O objetivo é manter um distanciamento emocional dos pacientes, como forma de não se envolver afetivamente com as histórias.

O médico é treinado para não prestar atenção ao sofrimento humano causado por mortes, doenças, tratamentos difíceis e traumas. Manter o afastamento do paciente é uma diretriz usada para que o médico se concentre apenas na doença do paciente e na busca por um tratamento eficiente.

Por essas razões, é comum ver em consultórios e hospitais pacientes que não ficam nem 5 minutos dentro da sala de consulta com o médico. Tudo é feito de forma rápida, automática e fria. Em muitas situações, o profissional de saúde pouco fala e nem olha nos olhos do paciente.

Essa metodologia de atendimento vem sendo questionada por muitos médicos, que acreditam que o comportamento é, na verdade, uma deficiência inserida no estudante de medicina. Alguns profissionais afirmam que a relação médico/paciente é muito importante para o sucesso dos tratamentos. Por isso, os médicos não podem ter apenas habilidades técnicas, mas também precisam ter empatia com seus pacientes.

Para tentar mudar a fama de frio do médico, as escolas de medicina vêm alterando o currículo para incluir aulas de reflexão artística e comunicação para os futuros médicos. O altruísmo não pode ser uma característica do médico apenas no início da faculdade. Esse perfil deve acompanhar o profissional em toda a sua trajetória.

É fundamental ter empatia e se preocupar verdadeiramente com o paciente. A carga emocional é grande, mas pode ser muito valiosa.